Bactéria pode ser arma contra a dengue

Bactéria pode ser arma contra a dengue

 Pesquisadores encontraram bactérias que pode bloquear o vírus da dengue.

Cientistas da Universidade de Michigan, nos EUA, descobriram uma bactéria que pode bloquear a duplicação do vírus da dengue em mosquitos. Segundo Zhiyong Xi, um dos autores do estudo, “Na natureza, cerca de 28% das espécies de mosquitos são hospedeiros da bactéria Wolbachia, mas esse não é o caso do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti.

"Verificamos que a Wolbachia é capaz de parar a duplicação do vírus da dengue e, se não houver vírus no mosquito, ele não se espalhará para as pessoas. Ou seja, a transmissão da doença poderia ser bloqueada”, disse. A bactéria era introduzida nos mosquitos Aedes aegypti por meio da injeção do parasite em embriões. A Wolbachia em insetos no laboratório foi mantida por quase 6 anos, com a bactéria sendo transmitida de uma geração para outra. 

Os pesquisadores descobriram que quando uma macho com a bastéria cruza com uma fêmea não infectada, a Wolbachia produz uma anomalia reprodutiva que leva à morte precoce dos embriões. Porém, a mesma bactéria não afeta o desenvolvimento embrionário, quando ambos, macho e fêmea estão infectados, sendo assim a bactéria pode se espalhar rapidamente, infectando uma população inteira de mosquitos. A Wolbachia não é transmitida para humanos. 

Este não foi o primeiro estudo realizado com a bactéria Wolbachia, um anterior foi feito na Austrália. “A linhagem que usamos tem uma taxa de transmissão maternal de 100% e faz com que os mosquitos vivam mais. No trabalho australiano, a linhagem usada faz com que os mosquitos morram cedo”, disse Xi. 

“Os dois métodos têm suas vantagens. Quanto mais o mosquito viver, mais chances ele terá de passar a infecção para seus descendentes e de atingir uma população inteira de mosquitos em um determinado período. Mas se o mosquito viver menos, ele não picará as pessoas e não transmitirá o vírus da dengue. Os dois exemplos demonstram o potencial do uso da bactéria para controle da transmissão”, explicou. 

O estudo foi publicado na edição de abril da revista PLoS Pathogen, e poderá ajudar mais de 2,5 bilhões de pessoas no mundo todo, já que ainda não existe vacina contra a doença.

Fonte:Agência EPTV

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